segunda-feira, 27 de abril de 2020

E agora? Golpe, renúncia, impedimento?

Em meio a pandemia, estamos vendo o acirramento da crise política-econômica do governo Bolsonaro. A declaração e a saída de Sérgio Moro do Ministério da Justiça foi, nesse sentido, emblemática. 

Moro na sexta-feira, dia 24/04, informa sua saída e a justifica na tentativa de Bolsonaro exercer controle da Política Federal (com foco aí na investigação de fakenews do Carluxo) além da quebra de um acordo feito que culminou na exoneração de Valeixo, ex-diretor geral da PF.

A saída de Moro rompeu parte do pacto de coalização de extrema direita no que toca ao lavajatismo e bolsonaristmo. Ninguém dúvida que sem a Lava Jato o Bolsonaro não seria eleito e não seria quem ele é hoje. Bolsonaro é cria de Moro, por isso penso que este é mais perigoso em termos político-econômico do que aquele. 

Essa ruptura de parte da base ideológica do lavajatismo tem como consequência a perda de apoio do Coiso, especula-se que em torno de 5%. Muitos sujeitos nas mídias bolsonaristas estão perdidos, pois Moro era um líder na luta anticorrupção. Inclusive grandes ex bolsonaristas já demonstraram apoio a Moro. 

Moro paga de bastião da moralidade, mas sabemos que está bem longe disso. Sabe-se, conforme vazajato do Intercept, que Moro tem intima conexões com o departamento de inteligência norte-americano. 

Ele pulou do barco, quando sua figura ficou sobre uma penumbra ( aguardava sua indicação no STF) e quando este barco estava afundando.
Moro caiu,mas caiu atirando. Por quê? Hoje Moro é candidato para 2022, com a chancela das Organizações Globo e com apoio dos EUA, mas ainda tem muito chão pela frente.
Moro é a extrema direita tecnocrática, concurseira, que paga de neutra, que agrada setores de extremadireita e direita com seu discurso e posicionamento. Não é escrachado e incontrolado como Bolsonaro. Justamente nesse ponto ele é mais perigoso, pois é meticuloso, não dá passo em falso. 

Aras, chefe da PGR, pede investigação das declarações de Moro. Vai vir coisa daí e pode desestabilizar mais esse governo. 

Quem é o próximo no paredão do Coisonaro?

A junta Ministerial com Braga Neto a frente lançou o Plano Pró-Brasil, projeto para tirar Brasil da crise do coronavírus via investimento público. Projeto que de projeto não tem nada (0,2% do PIB) pela sua rasura. Guedes marcou sua oposição ao projeto. Guedes cai será? Se cair como fica o governo Bolsonaro e sua agenda neoliberal do mercado?

E os milicos vão dar o golpe?
Hoje os militares são atores políticos centrais, cerca de 1000 no governo como um todo. 
Penso que com o Bolsonaro no governo não rolaria enrijecimento de regime, pois seria ele cortar a cabeça do resto dos milicos e isso eles num querem. Os milicos ainda tentam controlar o Coiso, mesmo diante dessa impossibilidade. 
Por outro lado, Mourão se mostrou impaciente no comunicado de sexta. Golpe no estilo clássico, de 64, não acredito não, mas penso em possíveis ameaças/acenos de Mourão ao congresso. 

Bolsonaro já acumula vários pedidos de Impeachment e Maia continua segurando. A demissão de Moro pode ser uma sinalização de Bolsonaro para o centrão, uma possível aproximação.
Ele renuncia? Mesmo perdendo apoio parcial de suas bancada, como do boi e da bala, pelo que conhecemos do Coiso eu não acredito nessa possibilidade, ele tem um orgulho militar forte demais. 

E agora, titio? No meio da pandemia e isolamento social a gente vê a extrema direita e a direita disputando protagonismo e "racionalidade". O máximo que a esquerda apresentou foi notas de repúdio. Será que vão retornar a PEC AntiMourão?

Nesse cenário conturbado o caminho é apoiar as iniciativas populares de apoio mútuo e solidariedade, dos de baixo, nas periferias, quilombos, assentamentos, aldeias.

No meio dessa treta entre bolsonaristas e lavajateiros eu fico de quebradinha vendo eles se matarem.









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