domingo, 19 de abril de 2020

Crise política, pandemia e outras tretas no "Brazil" conservador ultraliberal

E aí, quarenteners! 
Como estamos em meio a esse caos?

Nesta postagem vou tentar discutir um pouco sobre a crise político-econômica, a pandemia e outras tretas que temos vivenciado no Brazil ( com z mesmo por contra do entreguismo e da posição lacaia em relação aos Eua).

Objetivo aqui não é fazer tese acadêmica, vou apontar algumas reflexões e análises.

Ao contrário do que setores da mídia corporativa e o governo federal anunciam, a pandemia do corona vírus não iniciou a crise político-econômica, mas certamente a acentuou.
Estamos em crise econômica desde 2007.O gatilho foi nos EUA com a chamada crise do subprime, se estendeu a Europa pelo sistema financeiro e chega na China por volta de 2013, que se fecha no mercado interno gerando um forte impacto na América Latina. 

No Brasil, essa crise econômica desencadeou a crise política, como vocês devem lembrar, pois rompeu com o "Lulismo" que, nas palavras de André Singer, é caracterizado por um pacto social conservador, de modelo econômico neoliberal, com políticas distributivas. Na crise num dá pra agradar gregos e troianos,né? A elite nacional e outros setores se sentiram desagradados e meteram o golpe de 2016.

O golpe alinhou Brasil e EUA na disputa por hegemonia contra a China. Esse embate se acirra no final de 2019 e os preços de comodities tem uma alta no início de janeiro, mas o ponto de inflexão foi na primeira semana de março com a decisão da Arábia Saudita e Rússia de derrubar o preço do Petróleo. 

Isso reflete o aprofundamento da crise estrutural do capitalismo, ou melhor, desse tipo de capitalismo financeirizado, conjugada com o corona vírus apresenta-se um quadro de ofensiva aos trabalhadores, etnias indígenas, quilombolas, etc. 

E aí, e a pandemia e o governo Bozo?

Desde de quando a OMS declarou pandemia do corona vírus (11 de março), o Bozo vem batendo a cabeça pra minimizar a importância de combater o corona e suas consequências. Ele disse que seria apenas um resfriadinhopor conta de seu histórico de atleta (olimpiadas de flexão de pescoço), mesmo diante das orientações de OMS, de vários governos nacionais tomarem posturas de enfrentamento e diante da tragédia vista na Itália (estima-se mais de 20 mil mortos). 

Bozo continua fazendo o que ele sabe fazer - que é causar. Ele cresce como figura política usando ese recurso. Ele é especialista no acirramento, a eleição dele foi assim, a base que o apoia é presa a isso, porém ele esquece que estamos diante de um quadro de calamidade e não na disputa eleitoral.

Após as tretas e demissão do Mandetta (DEM, coleguinha do governador Caiado de Goias que é da UDR -União Democrática Ruralista, apoiador incondicional dos planos de saúde privado sobre os públicos), que a propósito não é flor que se cheire, um fato ficou anunciado - Bozo é passageiro ou instrumento no seu governo. 
Braga Netto, Chefe da Casa Civil, deixou isso evidente quando bateu o martelo e não permitiu demissão de Mandetta na primeira polêmica.  Bateu de frente e se articulou com uma junta ministerial para governar.  Qual legitimidade do Bozo após isso? Por que os militares o seguram? O que vem daqui pra frente? Bolsonarismo se fortalece com o não posicionamento das instituições diante dos absurdos que reivindicam, como AI-5, fechamento de congresso e por ai vai?

O que não podemos negar é que o presidente tem uma base ideológica fiel e isso fornece sua estabilidade (cerca de 28%) embora já demonstre estar instável psicologicamente ou até mesmo, como especulação de possível contágio de corona, abalado por estar se tratando com cloroquina. Sabe-se que ele recorreu a artificios legais pra omitir resultados do exame...

Após essas tretas, Bozo tem colocado sua mira no presidente da câmara, Rodrigo Maia (DEM), e nos governadores, talvez aí com mais ênfase no Witzel e João Dória, em torno do Plano Mansueto de ajuda federal aos Estado, dos decretos de isolamento social e quarentena. O tempo todo Bozo fala que a conta pós-pandemia vai cair no colo dos governadores e que ele num é responsável, pois vem defendendo o fim do isolamento social, como fica visível toda mão que ele sai no Planalto da Alvorada ou da um rolê pelas cidades satélites de brasília para contaminar o seu gado com febre aftosa, ta ok?

Agora vocês entendem porquê os bolsominion tão fazendo micareta e carreata pedindo fim do isolamento? Eles não tem medo do coronga, pois é, gado só pega febre aftosa. Enquanto isso as instituições "democráticas " veem de camarote os absurdos levantados nessas carreatas protofascistas - como intervenção militar.


A mira tá no DEM e no PSDB , pois, pelo que aparenta, a globo vai chancelar esse pacto como proposta de chapa eleitoral. Essas forças políticas de progressistas não tem nada, representam o que há de mais retrógrado na política e vão tocar a mesma agenda dita pelo mercado. É a direita, representada nessas forças, contra a extrema direita do psl e do gabinete do odio.

No lugar do Mandetta, Bozo colocou o Nelson Reich, ops, Teich. Empresário da saúde, zero carisma e sem anseios políticos, com experiência exclusiva no setor de saúde privada. A figura perfeita pra se colocar de plano de fundo, tem apoio da classe médica, empresarial e não vai entrar na disputa pública de discordar dos pronunciamentos, digo relinchamentos, do desgoverno. Aqui, na prática, esse novo ministro da saúde não difere muito do Mandetta em termos técnicos, a questão é que ele não vai peitar publicamente o Bozo. Na verdade nem é peitar, é se posicionar de acordo com os ditames da ciências e não de achismos, coisa que qualquer profissional da saúde deveria fazer. No primeiro discurso ele já demonstrou desconhecimento do SUS (da maior rede de saúde), falou em testagem em massa, mas não há reagente, não tem teste - efeitos da desindustrialização e da política entreguista. E ai, vai fz como doidão?

O que vemos é o desgoverno atendendo o mercado, dando mais de 1 e pros bancos (sem contrapartida alguma), postergando a liberação de renda emergencial pro povo, gerando um cenário desolador, que é estrutural, para classe trabalhadora, principalmente negra, pobre, periférica, como vemos os índices de mortos por covid-19 por recorte racial e nas pontas das cidades, assentamentos, no campo,etc. Pra voces terem ideia, em dados divulgados pelo Ministério da Saúde, a população negra representa 23,1% dos brasileiros dos hospitalizados, mas em relação a taxa de letalidade os negros são 32,8%. Baguio é loko,né?

O que vai dar? Ta em disputa. Nem os milicos sabem, como disse o Mourão recentemente "Está tudo sobre controle. Não sabemos de quem". 

No meio do isolamento e quarentena é difícil respondermos a esse refluxo coletivamente, nos sentimos impotentes pelas possibilidades concretas, pois não da pra pagar de olavistas e sair as ruas negando a pandemia. 
Por outro lado, há varias iniciativas de solidariedade e apoio mutuo. Vejam bem, não estou falando de caridade,certo? Varios grupos, organizações, entidades de esquerda fazendo esse corre responsa com ocupações, nas quebradas, nos albergues, com população em situação  de rua e por ai vai. 

O que num falta é trabalho para os/as cartunistas...



 Arte de Latuff.

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