quinta-feira, 30 de abril de 2020

Capitalismo em Debate: Uma Conversa na Teoria Crítica - (Capítulo 2)


FRASER, Nancy; JAEGGI, Rahel. Capitalismo em Debate: Uma Conversa na Teoria Crítica. 1. Ed., São Paulo: Boitempo, 2020.

Historicizando o capitalismo

Agora parte-se para conceituação do capitalismo como ordem social histórica, que se transforma com o tempo, com mudanças significativas em suas características. Ao entender o capitalismo como ordem social institucionalizada e argumentar como o primeiro plano está enraizado no plano de fundo, na reprodução social e na natureza isso leva as autoras a considerar a história, posto que essas condições são alteradas no tempo.
Para tanto, Frazer distingue duas questões a respeito do capitalismo e da história. A primeira seria os regimes de acumulação na diacronia da história e a segunda as variedades sincrônicas dos regimes que coexistem na mesma temporalidade em contextos outros. O foco das autoras vai ser nos desdobramentos diacrônicos.
As noções de primeiro plano e plano de fundo são centrais para distinguir sociedades capitalistas e não capitalistas, posto que estas últimas não institucionalizam separação entre economia/política, natureza/sociedade, produção/reprodução.
Os “estágios” dos regimes de acumulação do capitalismo trazidos pelas autoras são os seguintes: capitalismo mercantil, capitalismo liberal, capitalismo administrado pelo Estado (ou social-democrata) e capitalismo financeirizado. O que nos leva de uma ordem social institucionalizada a outra? Frazer coloca que para responder isso é preciso fugir da explicação determinista e monocausal de que as relações sociais de produção de um determinado momento se tornam amarras para o desenvolvimento das forças de produção e propõe o seguinte: cada regime de acumulação lida com as tensões entre economia/política, produção/reprodução, natureza/sociedade de uma forma; essas tensões representam tendências a crise e surgem nas fronteiras, nas esferas da tênue linha entre primeiro plano e plano de fundo, além de estarem também na economia (queda de taxas de lucro, ciclos de crescimento-falência, desemprego crescente, etc).
As autoras adentram os quatro regimes na história pensando primeiro especificamente a relação economia e política. Logo de início Jaeggi afirma que é uma falácia separar Estado de Economia, como vimos, mas é igualmente falacioso dizer que a economia é independente do Estado.
                Elas começam pela fase mercantil do capitalismo, hegemônica do século XVI a XVIII. Nesta fase a economia era parcialmente separada do Estado, terra e trabalho não eram ainda de fato mercadoria e havia preponderância das normas econômico-morais nas formas de governar. Havia uma distinção entre mercado interno/externo, organizada pelos absolutistas, que regulava o comércio interno e o comércio com outras cidades. Isso começa a ser mudado com a imposição da lógica de valor internacional para estes espaços, fazendo aparecer novos espaços sociais/profissionais e mudando relações sociais entre proprietário de terras e dependentes. Estes novos espaços e relações deram base e estimularam o surgimento de um pensamento liberal.            
                Essas transformações econômicas e mobilizações políticas deram brecha a um outro regime - o capitalismo liberal. Nesse regime de acumulação os Estados Europeus têm protagonismo, com sua agenda de regular o comércio interno. Aparentemente a economia andava de maneira autônoma, livres de determinações políticas, sob o mecanismo “oferta-demanda”. O substrato desse novo regime foi uma ordem jurídica na qual predomina o contrato, o indivíduo livre, propriedade privada e uma pretensa separação entre setor público/Estado em relação ao poder privado do capital. O Estado aqui, cabe lembrar, teve papel na expropriação de terras e na transformação de populações em proletários, criando possibilidade de exploração do trabalho assalariado. Na periferia do capital, os regimes coloniais por meio do aparato militar pilhavam as populações locais, fomentando a um “Imperialismo de livre comércio” sob hegemonia britânica. A ordem institucionalizada de separar política e econômica gerou crises agudas, lutas de classes e revoltas anticoloniais, engendrando uma grave crise que foi resolvida nos rescaldo pós Segunda Guerra Mundial.
Pós Segunda Guerra temos o regime do capitalismo administrado pelo Estado que usa a poder público para amenizar crises. Investiu-se em infraestrutura, promove-se o pleno emprego e consumo, disciplinou-se o capital, os interesses subjacentes eram de assegurar acumulação de capital privado e arrefecer a revolução que se avizinhava. A crise desse regime surgiu por conta dos aumentos de salários, baixas taxas de lucro da manufatura, aí o capital se articula para liberar novos mercados e ao mesmo tempo surge uma nova esquerda.
Entramos assim no capitalismo financeirizado, que reformulou novamente a relação economia/política, fazendo com que o Estado fosse disciplinado pelos agentes privados. O Estado foi usado para construção de organizações transnacionais que dão poder ao capital. Em traços gerais a predação se dá por meio da dívida e austeridade. Esse regime é igualmente instável, o que culminou na crise de 2007-2008.
Há também um outro ponto a se destacar nesse novo regime que é o conflito entre mercados transnacionais e soberania territorial nacional. O impulso do capital é romper as barreiras nacionais, para tanto existem governanças transestatais, como FMI, Banco Mundial, OMS. São organizações que não prestam conta alguma e transcendem leis nacionais, estabelecendo leis para governos neoliberais no tocante a esferas de trabalho, proteção ambiental, dentre outras.
Junto com essa força neoliberal, surgia uma nova esquerda vias lutas pela descolonização, pela igualdade racial, libertação das mulheres que fazia severas críticas ao dirigimos estatal. Estes anseios convergiram com os neoliberais na liberação de novas forças de mercado e essa batida dupla deslegitimou o Estado social democrata.
Essa mudança de regime significou mudanças concretas nas vidas das pessoas e uma luta refem à centralidade do trabalho não abarcavas as demandas desses novos movimentos sociais. Aqui a história foi astuta, pois lutas por reconhecimento ganharam espaço fertilizando críticas neoliberais a esse Estado paternalista.
Fraser e Jaeggi neste momento do texto focam nas esferas e sua historização. A primeira selecionada é produção e reprodução. Na centralidade do capitalismo, o mercantilismo deixou os vínculos sociais quase intactos: regulados localmente pelo costume e igreja, extensão de rede de parentesco. Na periferia do capitalismo houve massacres de povos nativos, coma tentativa de aniquilar costumes e sociabilidade local. No capitalismo liberal o ataque a periferia do sistema continuou por meio da consolidação do empreendimento colonial. Na metrópole, entretanto, aconteceram muitas modificações, a produção econômica foi desacoplada da reprodução social e isso implicou em que as mulheres passaram a ter domínio da reprodução social na esfera privada e assim foram desenhadas as fronteiras de gênero burguesas. Esse regime liberal acentuou a contradição entre imperativos de produção e exigências sociais de reprodução que gerou uma crise que ensejou o capitalismo administrado pelo Estado.
No capitalismo administrado pelo Estado a contradição produção-reprodução fez com que a reprodução fosse levada para o poder do Estado. Socializou parcialmente a reprodução por meio das pensões para mais velhos e famílias pelo chamado “bem-estar social”. O Estado de bem-estar social, cabe frisar, foi resultado de conquista das lutas sociais, encabeçadas pela classe trabalhadora. Essa situação permitiu uma renda para as famílias e fez com que as mulheres se voltassem para esfera domésticas integralmente, no cuidado dos filhos e lar, institucionalizando a subserviência das mulheres e heteronormatividade. No capitalismo periférico o quadro não era esse, posto que continuam os saques e predações do sul global, ao mesmo tempo que aconteciam movimentos de independência. Nestes territórios a reprodução social permaneceu longe do alcance estatal.
Após os anos 60 essa estrutura do Estado de Bem-Estar Social começa a ser questionada. De um lado mulheres de classe média descontentes com o salário familiar, o mercado surgindo como novo caminho de realização, e do outro lado outros movimentos sociais entram em cena com pautas de étnico-raciais, contra imperialismo, paternalismo, e do outro o crescente neoliberalismo, defendendo “livre-mercado”, buscando quebrar as travas burocráticas do Estado para empreendimentos. Surge daí, de grupos aparentemente distantes, um neoliberalismo progressista que eliminou a proteção social, endossando a mercantilização e o discurso de emancipação.
No capitalismo financeirizado a dinâmica de gênero foi construída em cima da queda do poder real dos salários das famílias, numa passagem do “emprego fordista” para emprego precarizados, tornando impossível um salário para toda uma família. Neste modelo praticamente todos precisam dispender tempo para produção e reprodução. Com os cortes da proteção social e baixa dos salários, o capitalismo financeirizado joga a reprodução social como atividade mercantilizável. Há uma transferência do cuidado aos outros, em particular mulheres negras, migrantes, pobres.
No que tange a esfera da “natureza” é preciso desnaturalizá-la, para isso as autoras propõem a historicização das contradições entre capitalismo e predação ecológica. O capitalismo se aproveita das condições de fundo de determinada natureza e as contradições dessa relação são sempre expressas historicamente - socioecologia. Elas apontam que é preciso romper a dicotomia natureza/humanidade, posto que a natureza não humana e a sociedade humanas são inter-relacionadas.
A dinâmica do capital mina as próprias condições naturais da produção quando esgota os recursos por meio da predação, mesmo que isso signifique ameaça ao lucro – uma espécie de mais valor ecológico. Ao atingir seu limite o capital abre caminho para um novo regime de acumulação.
Adentrando nos regimes socioecológicos de acumulação. No mercantilismo agricultura e manufatura dependiam da força humana e animal. Na periferia a terra era usada até a exaustão, sem a preocupação com sua reposição, ao passo que no centro do poder, principalmente Inglaterra, a revolução científica avançava com energia fóssil, motor a vapor movido a carvão por exemplo, e liberava um pouco a terra desse ônus.
Na acumulação liberal a produção por fósseis se expandiu, mas dependência da força humana continua. A geopolítica da industrialização na Europa dependia do extrativismo nas colônias via mão de obra não livre (algodão, café, açúcar, tabaco, chá). O colonialismo busca subjugar as sociedades que não distinguiam a natureza da sociedade comodificando-as.
No capitalismo administrado pela Estado a ideia era puxar a natureza para o campo político, tornando-a regularizada pelo Estado. O petróleo ganha centralidade como recurso o período é marcado pera era do automóvel e com hegemonia da Grã-Bretanha e EUA com o fordismo. Na periferia do capital vemos vários golpes de Estados com patrocínio dos EUA ( América Latina e Golfo Pérsico), com o intuito de manter as relações internacionais de predação.  
No capitalismo financeirizado todos os pontos ruins dos outros regimes estão presentes e mais fortes. No centro há uma expansão da pós-materialidade, tais como Ti, finanças, serviços. Esse pós-materialismo é assentado na materialidade do Sul Global (mineração, agricultura e indústria) no consumo de energia de carvão, petróleo e, acrescenta-se, o gás. Isso tem como consequência um quadro no Sul Global de hiperextrativismo, poluição extrema, vulnerabilidades ocasionadas pelo aquecimento global. O neoliberalismo economiciza a natureza mesmo sem a mercantilizar com o chamado ecocapitalismo, baseado em créditos de carbono, licenças de emissão, criando uma financeirização da natureza.
No que concerna a regimes de acumulação racializada, as autoras ratificam que a história oficial da exploração depende da história de fundo da expropriação. As duas “ex” precisam de especificações geográficas e demográficas, além do esforço fundamental de historicizá-las. Além disso, as “ex” possuem duas dimensões: uma econômica que tem a ver com os custos necessários para reprodução do trabalho, caso da exploração, e quando o capital não assume esses custos, caso da expropriação; a outra é política na qual os explorados são cidadãos, com direitos políticos, acesso à proteção do Estado, enquanto na expropriação os sujeitos são dependentes, que não podem recorrer ao poder público para sua proteção.
Começando pelo capitalismo mercantil, o motor da acumulação era a expropriação e a pilhagem de terras na periferia. Nestes territórios, antes da exploração industrial veio a expropriação generalizada em África, Ásia e nas Américas na qual as massas tinham status de “nativas” e/ou “escravas”.
A passagem do mercantilismo ao liberalismo no século XIX foi caracterizada pela aproximação das duas “ex”. O domínio colonial se consolidou e consequentemente a pilhagem, EUA tinha a escravidão racial e pós-abolição havia a servidão por dívida dos negros libertos. A expropriação massiva na periferia acompanhava a exploração industrial no centro. Cria-se status diferentes para as populações no centro e na periferia com nítido caráter racial, respectivamente: trabalhador-cidadão explorável e sujeito-dependente expropriável. A separação racial foi reforçada pela separação exploração e expropriação, sendo que exploração só era lucrativa porque havia, do outro lado do globo, a expropriação, fornecedora de têxteis, minério e energia barata.
No capitalismo administrado pelo Estado a separação entre as duas “ex” começa a diminuir, pois veem que ela pode ser articulada. Nesse caso, os trabalhadores racializados recebem menos do que os custos necessários a sua reprodução. Estes trabalhadores eram explorados e expropriados pois estavam empregados no sistema fabril, mas alheios à proteção, com privação de direitos e sujeitos a violência constante.
O capitalismo financeirizado se arquiteta em outra relação entre as duas “ex”. A expropriação está em ascensão e a exploração se localiza nos Brics da semiperiferia. A expropriação atinge aqueles que outrora tinham a proteção do poder público, por meio de condições de trabalho precárias, mal remuneradas, sem sindicalização. Organizações transnacionais impingem sua agenda de austeridade a Estados pós-coloniais, exigindo cortes de serviços públicos, privatização, desdemocratização, abertura do mercado ao capital estrangeiro, transferência de riqueza ao capital financeiro e empresarial. Encontra-se um contínuo entre exploração e expropriação na figura do trabalhador formalmente livre e muito vulnerável, o qual permanece racializado, pensando as camadas mais precarizadas.
Como fechamento desse capítulo as autoras suscitam um debate sobre as estruturas de dominação e opressão no capitalismo contemporâneo. Fraser e Jaeggi não concordam com a hierarquização das dominações e, por conseguinte, com a lógica de contradição primária, secundária. A subordinação de gênero, raça, imperialismo, dominação política e ecológica são elementos estruturais inerentes ao capitalismo, da mesma forma que a dominação de classe. Elas também não compartilhavam da leitura de sistemas múltiplos, no qual capitalismo, patriarcado, supremacia branca seriam sistemas separados e que se articulam de maneira misteriosa. A proposta delas é de compreender o capitalismo como sistema que ancora todos os modos de opressão (gênero, raça e classe) em sua estrutura.  Com essa tese elas rompem com as teorias da interssecionalidade, que são descritivas e pensam os modos que as posições de sujeição atravessam umas às outras, e embasam um raciocínio explicativo, que olha para ordem social que gera as posições de sujeição, percebendo os mecanismos pelos quais a sociedade capitalista cria gênero, raça e classe como eixos que se atravessam. Eses eixos de dominação são espaços de contradição, ou seja, ao mesmo tempo são sujeição e luta social.
 Toda forma de capitalismo faz a distinção entre reprodução social e produção econômica, exploração e expropriação e as diferenças de gênero e raça são resultado das dinâmicas de poder que colocam indivíduos em determinadas posições estruturais no capitalismo. As características que a supremacia branca e a supremacia masculina vão adquirir dependem de sua conjuntura histórica.
No capitalismo financeirizado as fronteiras foram um pouco borradas, posto que a expropriação e reprodução se generalizaram. Contudo, ambas ainda recaem com maior peso sobre pessoas racializadas e mulheres. Por conta do que foi elucidado, uma libertação tendo como base as esferas de exploração e produção não pode emancipar os trabalhadores de todas etnias, raças e gêneros, da mesma forma que o foco único na discriminação, na ideologia, na cultura ou no direito, não é um caminho efeito de libertação. É preciso superar as duas “ex” e a divisão entre reprodução/produção por meio da abolição do sistema que as gera.

segunda-feira, 27 de abril de 2020

E agora? Golpe, renúncia, impedimento?

Em meio a pandemia, estamos vendo o acirramento da crise política-econômica do governo Bolsonaro. A declaração e a saída de Sérgio Moro do Ministério da Justiça foi, nesse sentido, emblemática. 

Moro na sexta-feira, dia 24/04, informa sua saída e a justifica na tentativa de Bolsonaro exercer controle da Política Federal (com foco aí na investigação de fakenews do Carluxo) além da quebra de um acordo feito que culminou na exoneração de Valeixo, ex-diretor geral da PF.

A saída de Moro rompeu parte do pacto de coalização de extrema direita no que toca ao lavajatismo e bolsonaristmo. Ninguém dúvida que sem a Lava Jato o Bolsonaro não seria eleito e não seria quem ele é hoje. Bolsonaro é cria de Moro, por isso penso que este é mais perigoso em termos político-econômico do que aquele. 

Essa ruptura de parte da base ideológica do lavajatismo tem como consequência a perda de apoio do Coiso, especula-se que em torno de 5%. Muitos sujeitos nas mídias bolsonaristas estão perdidos, pois Moro era um líder na luta anticorrupção. Inclusive grandes ex bolsonaristas já demonstraram apoio a Moro. 

Moro paga de bastião da moralidade, mas sabemos que está bem longe disso. Sabe-se, conforme vazajato do Intercept, que Moro tem intima conexões com o departamento de inteligência norte-americano. 

Ele pulou do barco, quando sua figura ficou sobre uma penumbra ( aguardava sua indicação no STF) e quando este barco estava afundando.
Moro caiu,mas caiu atirando. Por quê? Hoje Moro é candidato para 2022, com a chancela das Organizações Globo e com apoio dos EUA, mas ainda tem muito chão pela frente.
Moro é a extrema direita tecnocrática, concurseira, que paga de neutra, que agrada setores de extremadireita e direita com seu discurso e posicionamento. Não é escrachado e incontrolado como Bolsonaro. Justamente nesse ponto ele é mais perigoso, pois é meticuloso, não dá passo em falso. 

Aras, chefe da PGR, pede investigação das declarações de Moro. Vai vir coisa daí e pode desestabilizar mais esse governo. 

Quem é o próximo no paredão do Coisonaro?

A junta Ministerial com Braga Neto a frente lançou o Plano Pró-Brasil, projeto para tirar Brasil da crise do coronavírus via investimento público. Projeto que de projeto não tem nada (0,2% do PIB) pela sua rasura. Guedes marcou sua oposição ao projeto. Guedes cai será? Se cair como fica o governo Bolsonaro e sua agenda neoliberal do mercado?

E os milicos vão dar o golpe?
Hoje os militares são atores políticos centrais, cerca de 1000 no governo como um todo. 
Penso que com o Bolsonaro no governo não rolaria enrijecimento de regime, pois seria ele cortar a cabeça do resto dos milicos e isso eles num querem. Os milicos ainda tentam controlar o Coiso, mesmo diante dessa impossibilidade. 
Por outro lado, Mourão se mostrou impaciente no comunicado de sexta. Golpe no estilo clássico, de 64, não acredito não, mas penso em possíveis ameaças/acenos de Mourão ao congresso. 

Bolsonaro já acumula vários pedidos de Impeachment e Maia continua segurando. A demissão de Moro pode ser uma sinalização de Bolsonaro para o centrão, uma possível aproximação.
Ele renuncia? Mesmo perdendo apoio parcial de suas bancada, como do boi e da bala, pelo que conhecemos do Coiso eu não acredito nessa possibilidade, ele tem um orgulho militar forte demais. 

E agora, titio? No meio da pandemia e isolamento social a gente vê a extrema direita e a direita disputando protagonismo e "racionalidade". O máximo que a esquerda apresentou foi notas de repúdio. Será que vão retornar a PEC AntiMourão?

Nesse cenário conturbado o caminho é apoiar as iniciativas populares de apoio mútuo e solidariedade, dos de baixo, nas periferias, quilombos, assentamentos, aldeias.

No meio dessa treta entre bolsonaristas e lavajateiros eu fico de quebradinha vendo eles se matarem.









quarta-feira, 22 de abril de 2020

Capitalismo em Debate: Uma Conversa na Teoria Crítica - (Introdução e Capítulo 1)


FRASER, Nancy; JAEGGI, Rahel. Capitalismo em Debate: Uma Conversa na Teoria Crítica. 1. Ed., São Paulo: Boitempo, 2020.

Pretendo fazer uma breve resenha sobre o instigante livro Capitalismo em Debate: Uma Conversa na Teoria Crítica de Nancy Frazer e Rahel Jaeggi, autoras que merecem destaque na Teoria Crítica contemporânea.
Em traços gerais é um livro complexo, muito sólido em termos teóricos e epistemológicos, propositivo e que debruça atenção a questões sistêmicas do capitalismo com o devido cuidado com a história, com os conceitos, atores sociais, assimetrias geopolíticas de poder. Embora seja um livro produzido por e a partir de referências euro-americanas, as autoras não deixam de refletir sobre as implicações de suas análises em contextos pós-coloniais ou da periferia do capital.
O capitalista volta à cena teórica e do debate público após a crise financeira de 2007. Para elas isso abriu uma possibilidade de repensá-lo a partir de Teoria Crítica e trazer novas olhares para economia política.
Embora tenham concepções diferentes do que é o capitalismo, as duas autoras concordam que a crise não é apenas econômica no sentido estrito do termo, ou seja, do desemprego, má distribuição de renda, a problemática é mais profunda, pois trata-se de como a riqueza é produzida, o que é considerado riqueza, quanto se recebe por determinados tipos de trabalho, como ela é organizada. Isso nos traz para a raízes dos problemas de empregos precarizados e/ou mal remunerados, jornadas triplas, nossa relação predatória com o meio ambiente, relações de cuidados, enxugamento da democracia pelo mercado (desdemocratização), lobbies, dentre outros.
                Por que a Teoria Crítica abandonou o capitalismo como objetivo de análise na década de 80? Para responder a isso, Frazer e Jaeggi lançam uma dupla argumentação: avanço de concepções liberais e a proeminência do pós-estruturalismo. O primeiro argumento tem a ver com o abandona de uma crítica estrutural e fundante do capitalismo, em geral as análises liberais “igualitárias” partem do capitalismo como dado, como um fato. O segundo argumento tem a ver com fortalecimento dos pós-estruturalismo, seu rechaço pelo economicismo e seu foco em questões simbólicas, culturais, aí incluindo debates sobre raça, gênero, sexualidade. Esse distanciamento feito por autoras/es que podemos classificar como pós-estruturalista foi importante, pois aqueles debates não como reflexo da estrutura econômica, mas a partir de suas próprias normatividades e ontologias. No entanto, uma consequência ruim foi esquecer a importância da economia política nesta análise.
                A proposta das autoras vem nesse sentido, pensar uma “grande teoria” que abarque processos históricos, tensões sistêmicas, contradições e tendências a crises que são multidimensionais (não apenas econômica). Força-se a pensar as estruturas subjacentes a multidimensionalidade das crises na sociedade capitalista como um todo.

Conceitualizando o Capitalismo

                Este capítulo gira em torno do debate em caracterizar o que é o capitalismo, quais os elementos centrais que transformam uma sociedade em capitalista.
Para responder essa indagação as autoras afirmam que o capitalismo é inerentemente histórico e apresenta, para além de variedade, regimes em diferentes momentos históricos: mercantilismo, liberalismo, capitalismo de Estado ou dirigismo estatal e neoliberalismo ou capitalismo financeiro.
A princípio elas partem das definições de Marx: propriedade privada dos meios de produção e divisão de classe entre proprietário e trabalhadores; um mercado de trabalhadores livres; acumulação de capital, valorizando lucro e não necessidades. Após isso elas sugerem uma quarta característica que é apresentada na centralidade dos mercados na provisão da sociedade capitalista. Mercado não é sinônimo de capitalismo. O que caracterizaria os mercados na sociedade capitalista seria a comodificação, que é, de forma simplificada, tornar bens, serviços, insumos em mercadoria, além dos próprios meios de subsistência e assuntos humanos fundamentais.
É possível distinguir mercados em três usos: distribuição, alocação e formativo. Os distributivos gerem bem tangíveis para consumo pessoal; os alocativos direcionam os recursos para interesse coletivos e transindividuais, mas frisa-se que o capitalismo usa o produto social e coletivo para riqueza individual; os formativos que estruturam a dinâmica das nossas relações sociais, instrumentaliza as nossas relações pois a troca de mercadoria penetra profundamente no tecido social. No capitalismo a questão central é da alocação de insumos (incluindo trabalho humano) e excedente.
As autoras até aqui refutaram a tese de que o capitalismo se resume ao sistema econômico e de que este é autônomo em relação ao resto do social. A partir disso elas começam um movimento de desortodoxar essa teoria, trazendo novas epistemologias para pensar a processo de acumulação de capital socio-historicamente, indo para além de Marx.
Uma dessas novas epistemologia é o trabalho reprodutivo, conceituado por feministas marxistas e socialistas. Essa noção toca em temas trabalho reprodutivo não remunerado, em sua maior parte, esfera do cuidado, do prover, afeto, mas também corre em vizinhanças, associações de bairro e hoje esta também em espaços mercantilizáveis. Essa atividade é fundamental para a existência do trabalho assalariado e à acumulação. O trabalhador assalariado pode ser explorado na existência do trabalho domestico, pois mantem as gerações futuras e os vínculos sociais, logo é um plano de fundo do capital. Frazer e Jaeggi argumentam que o deslocamento da produção a reprodução social é um artefato histórico do capital e que as sociedades capitalistas têm uma tendência a crise econômica e socioreprodutiva.
A segunda mudança epistêmica é aquele pensamento que traz a ideia do uso indiscriminado da natureza. Natureza é incorporada ao capital como uma fornecedora inesgotável de insumos garantido a reprodução capitalista. Aqui a natureza é entendida em oposição à humanidade, na qual a primeira seria a-histórica, dada objetivamente e material, enquanto a segunda é histórica, sociocultural. Após séculos de usurpação a natureza grita como um foco de crise capitalista, olhemos, por exemplo, para comodificação da agua.
Outra episteme é da economia à politica. O velho e grande debate liberal em todos seus matizes. As autoras rechaçam a ideia de economia como esfera autônoma e autoregulada, como vimos, porque a economia depende de um aparato estatal jurídico para sua permanência. Direitos a propriedade, contratos, sustentação de empresas privadas, a troca, criação e manutenção de moeda, tudo isso depende de um poder politico. Um elemento central aqui é o direito internacional, que opera para além das fronteiras dos Estados Nacionais, acordado com grandes potencias e organismos supranacionais para circulação de capital. Nesta geopolítica temos outras divisões estabelecidas pelo imperialismo em sua gramática centro e periferia.
 Assim o Estado constitui a economia capitalista. O capitalismo estabeleceu essa separação, que inexistia no feudalismo, e a implicação é que cada poder tem sua esfera, seu modo de operar, embora sejam inter-relacionados.
Como apontado, surge uma outra divisão que é a centro-periferia. Essa divisão nos leva a temas estruturantes da sociedade capitalista, como o de raça. Fazendo um paralelo à dominação de gênero e ao heteropatriarcado que tem base na separação entre produção e reprodução social, a raça tem base no que as autoras chamam de exploração e expropriação. Enquanto a exploração pressupõe um trabalhador “livre” e “consenso contratual”, a expropriação é a acumulação por outros meios, ela dispensa essas características.
O argumento de Frazer e Jaeggi é que não pode haver exploração sem expropriação, que as duas “ex” mudam status dos sujeitos, posto que os explorados são sujeitos de direitos, cidadão e os expropriados são não livres, sem proteção política e jurídica e essa distinção de status está atrelada a populações racializadas. Esta distinção é rascunhada politica e economicamente pelos Estados, na qual com a exploração os custos de reprodução do trabalhador são pagos ao passo que na expropriação não, o que coloca os expropriados como fundamentais para acumulação de capital. Olhemos para o Brasil escravista e o status conferido a população escravizada nas plantações de café e açúcar.
As autoras avançam mais na tese afirmando que a expropriação é pré-condição e condição contínua sine qua non para o axioma de acumular mais e mais. A conclusão é de que a opressão racial é sistêmica e estruturante dos regimes capitalistas.
Neste momento as suscitam um debate acerca do que chama de primeiro plano e plano de fundo do capitalismo, com o intuito de relativizar a forma mercadoria e dizer que ela não é onipresente, pois o capitalismo necessita de esferas não mercantilizáveis, como dito anteriormente. As esferas do social, ecológica e política tem gramáticas normativas e ontológicas próprias. Por exemplo, algumas práticas de reprodução fortalecem ideias de solidariedade e na esfera da natureza não humana princípios de não dominação na natureza, auto sustentabilidade.  Aí há uma divergência entre primeiro plano e plano de fundo, posto que o primeiro plano opera na lógica de eficiência, crescimento, mérito, escolha individual.
Cabe sublinhar que a dinâmica de relações entre os planos não é intransponível e também não são “incontamináveis”, posto que não são duas lógicas diferentes, de instituições contrastantes. A proposta é pensar que as sociedades capitalistas institucionalizam diversas ordem normativas e ontologias, aí Frazer recupera sua concepção de capitalismo: como uma ordem social institucionalizada e aponta, novamente, para as divisões institucionais e regimes de acumulação que ela vê: produção econômica e reprodução social; separação institucional entre econômica e política; divisão entre mundo humano e mundo natural; exploração e expropriação. Aqui Jaeggi tem outra perspectiva, ela concebe o capitalismo como um contexto de práticas sociais e dentro de práticas sociais, isto é, práticas sociais relacionadas com outras instituições e práticas sociais econômicas e não econômicas, concebidas como práticas agregadas.



domingo, 19 de abril de 2020

Crise política, pandemia e outras tretas no "Brazil" conservador ultraliberal

E aí, quarenteners! 
Como estamos em meio a esse caos?

Nesta postagem vou tentar discutir um pouco sobre a crise político-econômica, a pandemia e outras tretas que temos vivenciado no Brazil ( com z mesmo por contra do entreguismo e da posição lacaia em relação aos Eua).

Objetivo aqui não é fazer tese acadêmica, vou apontar algumas reflexões e análises.

Ao contrário do que setores da mídia corporativa e o governo federal anunciam, a pandemia do corona vírus não iniciou a crise político-econômica, mas certamente a acentuou.
Estamos em crise econômica desde 2007.O gatilho foi nos EUA com a chamada crise do subprime, se estendeu a Europa pelo sistema financeiro e chega na China por volta de 2013, que se fecha no mercado interno gerando um forte impacto na América Latina. 

No Brasil, essa crise econômica desencadeou a crise política, como vocês devem lembrar, pois rompeu com o "Lulismo" que, nas palavras de André Singer, é caracterizado por um pacto social conservador, de modelo econômico neoliberal, com políticas distributivas. Na crise num dá pra agradar gregos e troianos,né? A elite nacional e outros setores se sentiram desagradados e meteram o golpe de 2016.

O golpe alinhou Brasil e EUA na disputa por hegemonia contra a China. Esse embate se acirra no final de 2019 e os preços de comodities tem uma alta no início de janeiro, mas o ponto de inflexão foi na primeira semana de março com a decisão da Arábia Saudita e Rússia de derrubar o preço do Petróleo. 

Isso reflete o aprofundamento da crise estrutural do capitalismo, ou melhor, desse tipo de capitalismo financeirizado, conjugada com o corona vírus apresenta-se um quadro de ofensiva aos trabalhadores, etnias indígenas, quilombolas, etc. 

E aí, e a pandemia e o governo Bozo?

Desde de quando a OMS declarou pandemia do corona vírus (11 de março), o Bozo vem batendo a cabeça pra minimizar a importância de combater o corona e suas consequências. Ele disse que seria apenas um resfriadinhopor conta de seu histórico de atleta (olimpiadas de flexão de pescoço), mesmo diante das orientações de OMS, de vários governos nacionais tomarem posturas de enfrentamento e diante da tragédia vista na Itália (estima-se mais de 20 mil mortos). 

Bozo continua fazendo o que ele sabe fazer - que é causar. Ele cresce como figura política usando ese recurso. Ele é especialista no acirramento, a eleição dele foi assim, a base que o apoia é presa a isso, porém ele esquece que estamos diante de um quadro de calamidade e não na disputa eleitoral.

Após as tretas e demissão do Mandetta (DEM, coleguinha do governador Caiado de Goias que é da UDR -União Democrática Ruralista, apoiador incondicional dos planos de saúde privado sobre os públicos), que a propósito não é flor que se cheire, um fato ficou anunciado - Bozo é passageiro ou instrumento no seu governo. 
Braga Netto, Chefe da Casa Civil, deixou isso evidente quando bateu o martelo e não permitiu demissão de Mandetta na primeira polêmica.  Bateu de frente e se articulou com uma junta ministerial para governar.  Qual legitimidade do Bozo após isso? Por que os militares o seguram? O que vem daqui pra frente? Bolsonarismo se fortalece com o não posicionamento das instituições diante dos absurdos que reivindicam, como AI-5, fechamento de congresso e por ai vai?

O que não podemos negar é que o presidente tem uma base ideológica fiel e isso fornece sua estabilidade (cerca de 28%) embora já demonstre estar instável psicologicamente ou até mesmo, como especulação de possível contágio de corona, abalado por estar se tratando com cloroquina. Sabe-se que ele recorreu a artificios legais pra omitir resultados do exame...

Após essas tretas, Bozo tem colocado sua mira no presidente da câmara, Rodrigo Maia (DEM), e nos governadores, talvez aí com mais ênfase no Witzel e João Dória, em torno do Plano Mansueto de ajuda federal aos Estado, dos decretos de isolamento social e quarentena. O tempo todo Bozo fala que a conta pós-pandemia vai cair no colo dos governadores e que ele num é responsável, pois vem defendendo o fim do isolamento social, como fica visível toda mão que ele sai no Planalto da Alvorada ou da um rolê pelas cidades satélites de brasília para contaminar o seu gado com febre aftosa, ta ok?

Agora vocês entendem porquê os bolsominion tão fazendo micareta e carreata pedindo fim do isolamento? Eles não tem medo do coronga, pois é, gado só pega febre aftosa. Enquanto isso as instituições "democráticas " veem de camarote os absurdos levantados nessas carreatas protofascistas - como intervenção militar.


A mira tá no DEM e no PSDB , pois, pelo que aparenta, a globo vai chancelar esse pacto como proposta de chapa eleitoral. Essas forças políticas de progressistas não tem nada, representam o que há de mais retrógrado na política e vão tocar a mesma agenda dita pelo mercado. É a direita, representada nessas forças, contra a extrema direita do psl e do gabinete do odio.

No lugar do Mandetta, Bozo colocou o Nelson Reich, ops, Teich. Empresário da saúde, zero carisma e sem anseios políticos, com experiência exclusiva no setor de saúde privada. A figura perfeita pra se colocar de plano de fundo, tem apoio da classe médica, empresarial e não vai entrar na disputa pública de discordar dos pronunciamentos, digo relinchamentos, do desgoverno. Aqui, na prática, esse novo ministro da saúde não difere muito do Mandetta em termos técnicos, a questão é que ele não vai peitar publicamente o Bozo. Na verdade nem é peitar, é se posicionar de acordo com os ditames da ciências e não de achismos, coisa que qualquer profissional da saúde deveria fazer. No primeiro discurso ele já demonstrou desconhecimento do SUS (da maior rede de saúde), falou em testagem em massa, mas não há reagente, não tem teste - efeitos da desindustrialização e da política entreguista. E ai, vai fz como doidão?

O que vemos é o desgoverno atendendo o mercado, dando mais de 1 e pros bancos (sem contrapartida alguma), postergando a liberação de renda emergencial pro povo, gerando um cenário desolador, que é estrutural, para classe trabalhadora, principalmente negra, pobre, periférica, como vemos os índices de mortos por covid-19 por recorte racial e nas pontas das cidades, assentamentos, no campo,etc. Pra voces terem ideia, em dados divulgados pelo Ministério da Saúde, a população negra representa 23,1% dos brasileiros dos hospitalizados, mas em relação a taxa de letalidade os negros são 32,8%. Baguio é loko,né?

O que vai dar? Ta em disputa. Nem os milicos sabem, como disse o Mourão recentemente "Está tudo sobre controle. Não sabemos de quem". 

No meio do isolamento e quarentena é difícil respondermos a esse refluxo coletivamente, nos sentimos impotentes pelas possibilidades concretas, pois não da pra pagar de olavistas e sair as ruas negando a pandemia. 
Por outro lado, há varias iniciativas de solidariedade e apoio mutuo. Vejam bem, não estou falando de caridade,certo? Varios grupos, organizações, entidades de esquerda fazendo esse corre responsa com ocupações, nas quebradas, nos albergues, com população em situação  de rua e por ai vai. 

O que num falta é trabalho para os/as cartunistas...



 Arte de Latuff.

sábado, 18 de abril de 2020

Pra iniciar ou, como dizia Krenak, ideias para adiar o fim do mundo

Salve,pessoas!

Bom dia, boa tarde e boa noite (Não sei em qual espaço-tempo vou ser lido)

Tô voltando a utilizar esse blog depois de quase 10 anos. Tempo,né? 

Então, num vou mentir, voltei por tempo e por necessidade. Por tempo porque diante dessa quarentena e isolamento social estou me debruçando em algumas leituras e reflexões, que muitas vezes pela correria do dia-a-dia num rola. Por necessidade porque tô lendo umas paradas muito fmz, com enfoque em ciências sociais no contemporâneo, e preciso compartilhar e discutir com vocês. 

Essa fita de blog é meio antiquada, anacrônica e pá. Eu sei,eu sei, mas quem me conhece sabe como eu sou, num curto essas fitas de youtubers, fazer live no insta e no face, pelo menos ainda não. Penso que algumas coisas num vou curtir. Com isso não quero desconsiderar quem faz esses corres, tem muita coisa fmz e boa por aí, canais de youtube, lives no face, insta e por aí vai. É um recurso, muitos vezes nos perdemos nele, mas é um recurso que, inclusive, acessa muita gente. 

Sem me delongar, qual que é a fita? 

Vou usar esse meio, porque aqui pra mim é meio e não fim em si, para botar umas ideias e leituras de paradas que tô lendo, sempre buscando uma relação dialética entre teoria e prática. Teoria pela teoria é masturbação intelectual, prática sem teoria é como caminhar no escuro. 

É isso, se vocês curtem um espaço com uma pitada de acidez pra fazer fritar a cabeça, principalmente com bibliografias das ciências sociais, acompanhem minhas postagens. 

Arriba lxs que luchan!